Tribunal de Contas do Amazonas estruturou um ecossistema próprio de soluções digitais, ampliou o acesso a processos em tempo real e avança na organização de conhecimento técnico para apoiar a atividade fiscalizatória.
Em meio ao avanço da transformação digital no setor público, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas passou a concentrar esforços na incorporação de inteligência artificial a rotinas técnicas e administrativas. Sob a presidência da conselheira Yara Amazônia Lins, a Corte vem estruturando um conjunto de soluções voltadas à eficiência operacional, à ampliação da transparência e ao fortalecimento da capacidade analítica das equipes.
Em sua terceira gestão à frente do TCE-AM, Yara Lins conduz uma agenda de modernização que inclui a digitalização e a organização de grandes volumes processuais, além da criação de ferramentas para consulta técnica e apoio à elaboração de documentos. Segundo os dados apresentados pelo tribunal, já foram processadas 9,7 milhões de páginas e mais de 14 mil processos foram liberados para consulta em tempo real, movimento que amplia o acesso à informação e reduz barreiras operacionais no fluxo de trabalho das unidades técnicas e dos gabinetes.
Um dos principais pilares dessa estratégia é o Amazon.IA, plataforma desenvolvida para permitir que servidores utilizem diferentes modelos de inteligência artificial em atividades como análise documental, produção de minutas, consultas internas e suporte à fiscalização. De acordo com os números do próprio tribunal, a solução reúne 60 agentes criados, 177 prompts cadastrados, 377 usuários, 5.246 conversas realizadas, 8.692 arquivos analisados e 42.453 mensagens trocadas, indicadores que sugerem rápida incorporação da tecnologia à rotina institucional.
A frente processual também ganhou novo impulso com o Amazon.IA Assistente Processual, apresentado durante o 2º Encontro Nacional de Inteligência Artificial dos Tribunais de Contas. A ferramenta passou a permitir interação com mais de 14 mil processos a partir do processamento prévio de milhões de páginas, com recursos como busca semântica, geração de textos, citações verificáveis, consulta a processos apensos e navegação integrada pela árvore processual. Na prática, trata-se de uma solução desenhada para reduzir o tempo de análise de acervos extensos e ampliar a capacidade de resposta das áreas técnicas.
A iniciativa mais recente da gestão está concentrada no Agente de Pesquisa de Teses, ferramenta voltada à organização da memória técnica do tribunal. A proposta é reunir, em uma base consultável, teses, entendimentos e posicionamentos consolidados de gabinetes e procuradorias a partir de pareceres, relatórios e votos produzidos nos últimos três anos. Com isso, cada unidade poderá localizar com mais agilidade fundamentos já adotados em temas recorrentes, recuperar trechos específicos de decisões anteriores e apoiar a elaboração de novos documentos com maior consistência técnica e alinhamento institucional.
Ao comentar a estratégia, Yara Lins afirmou que a tecnologia vem sendo aplicada como instrumento de fortalecimento do trabalho técnico e da qualidade das decisões. Segundo a presidente, a inteligência artificial não substitui a atuação humana, mas amplia a capacidade dos servidores e contribui para uma atuação mais eficiente do controle externo. Em relação ao novo agente de pesquisa, a conselheira destaca que a proposta é transformar o conhecimento acumulado pelo tribunal em uma base organizada e útil para apoiar a produção de documentos e preservar a coerência da linha decisória de cada unidade.
O movimento liderado pelo TCE-AM sinaliza uma inflexão importante no uso de inteligência artificial pelos órgãos de controle. Mais do que automatizar tarefas, a adoção dessas ferramentas passa a atuar sobre dimensões sensíveis da gestão pública, como memória institucional, padronização técnica, rastreabilidade argumentativa e ganho de produtividade. Nesse contexto, o avanço do tribunal amazonense ajuda a reposicionar o debate sobre inovação no setor público, ao mostrar que a transformação digital pode ser aplicada de forma prática à atividade fim, sem romper com o rigor técnico exigido das decisões.
































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