sexta-feira, 07 de agosto
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Reforma Tributária: por que o verdadeiro risco para a indústria é financeiro, não fiscal

Bruno Werner Manfron, sócio da área tributária do ZA Advogados, destaca que as empresas que se planejarem sofrerão menos impactos da Reforma Tributária.

Escritório gaúcho de consultoria tributária alerta que impactos no fluxo de caixa e no capital de giro podem pesar mais que a própria definição das alíquotas, num momento em que a maioria das empresas ainda não começou a se preparar.

A discussão pública sobre a Reforma Tributária costuma parar num ponto: quais serão as alíquotas. Para especialistas em direito tributário, porém, esse não é o dado que mais deveria preocupar empresários. O que muda de fato é o caixa. A nova sistemática de tributação sobre o consumo altera fluxo de caixa, formação de preço e relação com fornecedores, merecendo atenção especial enquanto ainda há margem de preparação..

Uma pesquisa do CRC-SP de janeiro de 2026 demonstrou que 72% das empresas não estão preparadas para a Reforma Tributária, enquanto que 33,2% ainda não iniciaram qualquer discussão internamente sobre os impactos da Reforma Tributária, nem mesmo preliminares. Esses números são impactantes e demonstram uma realidade brasileira: a falta de preparação para as grandes mudanças. 

“O problema não é a empresa estar correndo riscos. É não saber que está correndo esses riscos”, diz Bruno Werner Manfron, sócio da área tributária do ZA Advogados (Zimmermann Almeida Advogados), escritório com sede no Rio Grande do Sul. É essa lógica, segundo ele, que orienta o trabalho do escritório com clientes de portes e setores diferentes: mapear o risco antes que ele apareça na conta.

Um exemplo concreto veio de um estudo que o escritório conduziu para uma indústria com a Reforma Tributária já em vigor. A receita bruta da empresa subiria 4,22% ao ano. O custo, no entanto, subiria 9,53% no mesmo período. A diferença chegaria na casa de R$10 milhões por ano, cerca de 10% do faturamento global da companhia analisada.

Há ainda outra frente, menos discutida: o split payment. O mecanismo pode acabar com o que Manfron chama de “float” tributário, o intervalo de tempo que hoje existe entre o recebimento e o repasse dos tributos. Ainda há muitas dúvidas que permeiam a implementação desse sistema, mas em alguns casos, a ausência desse intervalo vai demandar capital de giro imediato assim que a nova sistemática de recolhimento entrar em vigor.

“A Reforma Tributária mexe na legislação. Mas, na prática, ela é financeira”, resume o sócio.

O ZA Advogados já conta com 30 anos de atuação,Rio Grande do Sul, e hoje amplia sua atuação em outros Estados, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina, disputando espaço com as grandes bancas do país. 

Para Manfron, o essencial é entender que a Reforma Tributária é uma mudança financeira antes de ser uma mudança legal. Decisões tomadas agora, antes da implementação, tendem a custar muito menos do que ajustes feitos depois, com a transição já em curso.

E agora passa a ser uma briga contra o relógio. Em 1º de janeiro do novo ano as empresas já estarão convivendo com os impactos financeiros da implementação da CBS (e da nova lógica de tributação). Isso evidencia que agora, ainda em 2026, é tempo de preparação: mapear onde estão os gargalos financeiros e operacionais e estabelecer uma estratégia para minimizar os impactos da Reforma Tributária, especialmente no caixa das empresas.

Ainda mais em um cenário de juros elevados e das indicações da sua permanência, depender de capital de giro externo acaba se tornando muito caro, sendo necessário voltar a atenção para o que pode ser feito internamente, para evitar esse cenário.

Sobre ZA Advogados

Zimmermann Almeida Advogados (ZA Advogados) é um escritório de advocacia especializado em consultoria tributária, com atuação voltada a empresas de middle market e indústria.